OFUNDODAGAVETA

terça-feira, julho 11, 2006

Mosca Branca

Se você que já disse alguma vez que já viu de tudo nesse mundo, esqueceu de ver o Diego escrevendo versos (Aproveita que é uma vez por década!):

A Balada do Fim do Mundo

Era uma vez um ultimato disfarçado de notícia;
Numa dessas terças-feiras vazias,
Que veio de última hora
Anunciando o últimos dos dias.

Pela janela observava a rotina do avesso;
Quem não cessava um segundo do dia para nada, parou
Para ver que só os relógios não davam conta
Que o fim dos tempos chegou.

Sobre o caos que lhe deu a razão,
O profeta tornarava sua crítica exata.
Realidade e Ficção tinham a mesma explicação:
Que toda a ciência virou filosofia insensata.

Provou os pratos mais caros que tinham,
Aquele garoto de rua que só conhecia o lado amargo da vida.
Os gourmets já desuniformizados lamentavam
A ceia não que jamais seria consumida.

A juventude que se dizia perdida ouvia
A mesma banda de sempre numa nova canção.
A balada agora tinha hora marcada,
Para virar trilha da destruição

Com dossiês e relatórios,
Eu alimentei as fogueiras que se abriam no meio das avenidas
Onde executivos queimavam papéis
Que custaram noites mal-dormidas.

Quem tinha um partido, partiu suas idéias
Com todo o discurso cessado.
Não mais promessas, não mais um futuro,
Pois o verbo que ecoava só conjugava presente e passado.

Os amantes se beijaram,
Os poetas choraram,
Os pessimistas admiraram,
Os pássaros não voaram,
Os sem-rumo descansaram.

E quando vi o caos em que o mundo ficava,
Aquele sentimento que me viu sempre com o amor contido
Me disse, que todo o dia o mundo acaba,
Para uma pessoa que tem o coração partido.


Observações:
*Toda a minha capacidade verbal foi usada na "balada" acima. O que eu fosse pós-escrever seria um fiasco na certa!

Now Playing: "The Strokes - 15 Minutes"

Até mais!