OFUNDODAGAVETA

domingo, novembro 28, 2004

A Gaveta Mental

A nossa cabeça é uma gaveta em padrão mogno ou cerejeira, dependendo do caso desgastada ou com o "puxador" trocado pela quinta vez. Todo fim de ano essa gaveta involuntáriamente é arrumada, assim ano após ano. Arrumar uma gaveta tem uma inevitável conseqüência: Observar o que permanece intacto no fundo. O fundo da gaveta mental é um lugar reservado para aquilo que nos é importante o bastante para rever de dezembro a dezembro, quando limpamos e em alguns casos depositamos uma nova pedrinha de naftalina. É o cheiro da nostalgia, infalível como o sol que faz dos dias dessa época do ano intermináveis.
A minha gaveta mental tem um espaço para registros antigos tão grande que chega a bloquear o espaço das coisas novas que me surgem semana a semana. O certo é que odeio ter que limpar essa gaveta e ver aquilo que forra o fundo dela. A boa faxina na minha gaveta aconteceu por duas vezes na minha vida. Uma no começar de 2001 e outra no início de 2004. Nunca foi tão difícil recolher as memórias desse espaço tão pequeno quanto nessa última faxina. Gaveta mental vazia com poucas e boas lembranças é difícil. Toda a vez que ela se encontra aberta aquele papel amarelado que muito diz sobre um "era uma vez comigo" nos ataca em nostalgia e nos tira a vontade de voltar a preenchê-la de coisas novas.
Hoje, com a minha gaveta em estado de reorganização está repleta de coisas novas que deixam os registros do passado da maneira que eles devem estar, bem guardados, ocultos. Ainda não abandonei o vício de cutucar o fundo dessa gaveta imprevisível, mas hoje gosto de acreditar que abro mais ela para por coisas novas do que para revirar o que já está lá.
Se a minha gaveta mental é de mogno, cerejeira ou algum material de segunda isso eu não sei, mas que ela guarda tudo o que preciso agora e futuramente, disso eu não tenho dúvida. E a sua gaveta mental? Está pronta para uma nova pedra de naftalina?

Para quem não entendeu a quem isso se refere:
Aos meus amigos que tive o maior prazer de conhecer entre os anos de 2001 e 2003, que compunham momentos que arrisco em dizer: Os melhores da minha vida.
Aos amigos que conheci e estou conhecendo nessa nova "fase de gaveta" a partir de 2004, que me fazem arriscar tambpem a dizer que o melhor ainda está por vir.
Você, que notou que se enquadra nesses agradecimentos.

Boa Organização de Gaveta.

02/11/2004 - Quase em Nova Trento.