OFUNDODAGAVETA

segunda-feira, maio 29, 2006

Cabeça no travesseiro. Pés no salão.

Meu subconsciente surtou denovo. E como em vezes passadas eu digo que acredito que ele me conta vontades contidas e coisas que por indisponibilidade não acontecem. Ou melhor: Acontecem enquanto durmo.

Qual foi a da vez?
O teatro empoeirado? Não. O Gramado sob a via láctea (acho que esse eu não descrevi). Também não.
Dessa vez, pelo contrário, foi mais alegre.
Uma festa que poderia ter acontecido há uns quarenta anos ou mais. Era um ginásio e todos dançavam hits antigos. Sim, daqueles que mesmo você sentado num canto sem par pra dançar, faz seus sapatos acompanharem o ritmo.
Tinha um globo de espelhos no meio. Não podia faltar. Pelas pequenas janelas de metal no alto do ginásio dava pra ver a noite estrelada e quase-fria de primavera. Tinha um cara de óculos escuros e seus discos. Tinha uma mesa com canapés pela metade, e volta e meia alguém esbarrava por lá. Pouca gente se recolhia num canto-de-baile. Todos se convidavam. Sabe quando você é o único que pára pra ver tudo acontecendo, e na hora uma coisa te diz que o paraíso poderia ser alí mesmo (já me disseram disso no gramado à via-láctea).
Lembro da hora em que o globo girou mais devagar. Que alguns sairam. Que já era tarde da noite e nenhuma cadeira sustentava um só solitário. Foi quando tocou algo parecido com Richie Valens. A essa altura da "festa" eu sabia que poderia acordar (claro que em um momento eu percebo que tá tudo bom demais pra ser verdade).
Mas se não me engano, a noite foi adentro, e cada vez mais dançante e surreal. Daí em diante, não lembro de muita coisa. Será que os drinks lá eram fortes demais? Ou foi efeito normal do sono? Fica a pergunta.
O sonho se foi. O globo de espelhos se foi. A noite de décadas atrás se foi. Os cadillacs reluzentes se foram. Só ficou a vontade de que um dia eu pudesse chegar o mais próximo disso. Um dia só e bastava. Já que aquela via láctea tava abstrata demais pra que um dia eu pudesse contemplar de verdade. Não preciso voltar no tempo em que não vivi, mas bem que alguém podia trazer uma noite dessas de volta. Só uma noite.

Ouvindo: Beach Boys - Fun fun fun.

*Não estou insinuando que não tenho cuidado com o que escrevo. Só que dessa vez não li antes de postar. Tomara que não tenha escrito algumas gambiarras. Não né?

Boa Semana, "dude"!

segunda-feira, maio 08, 2006

Pastilhas "da Hora"

Imagino um mundo em que o tempo saia dessa coisa inexplicável e abstrata da física quântica e possa estar ao alcance das massas em qualquer banca de jornal.
O mundo após Tempos, The Time-maker não é apenas mais doce, com aroma de menta e frutas vermelhas. É uma vida que se vive mais, e quando você mais precisa. Você ingere uma pastilha e pronto! Uma hora a mais de vida, além é claro de agraciar suas papilas com seu sabor favorito.
Claro que provas de vestivular iriam reformular a famosa frase, que agora seria: Proibido o uso de equipamentos de
som, relógios, celulares, demais aparelhos eletrônicos e pastilhas Tempos.
Imagina só você indo passar uma semana num lugar legal, cercado de gente bacana. Pra acompanhar? Tempos! No mínimo um pacote com seis poderosos drops.
Você sempre ia ter um no bolso. Bastou achar que tá tudo "apertado", corrido, pronto! Como hoje elimina-se mau-hálito, indigestão, dores no corpo e até as vezes calorias, eliminaria-se o stress pelos minutos que não se têm.
O prazo para entrega da campanha é pra ontem? Com poucas pastilhas você teria o tempo equivalente ao retroceder de uma semana. Sem aquela parafernalha proveniente de uma ficção fajuta do cinema mudo.
O mundo seria um lugarzinho um pouco menos cruél de se viver. Talvez até adiaria o sonho de atravessar paredes, voar ou ser menos distraído (eu ainda não desisitiria de nenhum desses milagres). Mas na verdade, como Freud dizia: "Todos os sonhos têm o sonhador como centro. Os sonhos são absolutamente egoístas.", então vou tentar ser egocêntrico. O sonho do mundo com o "Time-maker" é o meu sonho de tê-las no bolso, e compartilhar com quem as precisa. Um dia bater a porta de um lugar qualquer com o vinho, uma pilha de CD's pra esquecer da vida, seja esquecer dançando ou esquecer viajando, e com as famosas pastilhas engana-tempo. Porque se um bom momento dura pra sempre, porque não fazer durar um pouco mais?

Considerações:
Eu demorei pra formular "mentalmente" cada caractere aí em cima.
Paródias com marca me perseguem, mas confesso que no fim acabo gostando.
Seria mais fácil para mim, Diego, voar ou bancar o fantasma do que abandonar minha natureza desligada.
Na falta de Tempos, mastigo pastilhas que só tem sabor a oferecer, e fico dando meu tempo a invenções absurdas.


Quem sabe um dia?

*Ouvindo: Velvet Underground - After Hours.